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Escola de Governo é lugar para imaginação?

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Escola de Governo é lugar de aprendizado, de ensinar e aprender, de troca de conhecimento. Seria também lugar de imaginar, de “dar asas à imaginação”?

 

A resposta é sim.

 

Resposta derivada de uma percepção que vem de Carlos Fuentes (1928-2012). Ele mesmo, o consagrado escritor mexicano, dono de uma das maiores capacidades imaginativas da América Latina. Em Geografia do romance, p. 12, ele faz uma pergunta em tom de resposta:

 

“... o que é a imaginação senão a transformação da experiência em conhecimento?”

 

O conhecimento que vem da experiência é fundamental para os agentes públicos, pois é com ela (a experiência do dia-a-dia) que lidam o tempo todo; é a ela que devem retornar sempre, mesmo depois de se dedicarem aos estudos e pesquisas. Se o conhecimento que obtêm na Escola de Governo tem essa característica – de brotar da experiência –, ele os prepara para a ação quotidiana de qualidade, pois respaldada nas práticas.

 

Por outro lado, note-se: tem de haver transformação; experiência não é conhecimento, é só experiência. É a imaginação – então como processo – que irá transformar a experiência em conhecimento. O que não se dá por si, automática ou naturalmente; ocorre por meio de uma deliberada ação intelectual transformadora, que consiste em imaginar a partir da experiência.

 

Imaginar não é simplesmente ver. É ver onde aquilo que deve ser visto, ou que se procura encontrar, não está prontamente visível, não está “na cara”, precisa ser buscado com os olhos da mente e não os da face. Imaginar consiste em abstrair (separar as partes e analisá-las sem considerar as outras), depois juntar tudo de novo e perceber encaixes e desencaixes, excessos e faltas; e então reconceber a experiência de modo a ter do real uma nova percepção: imaginada a partir da prática, mas com olhos de ver para o que não é praticado, ou que, sendo, não deveria ser, para obtenção de melhor resultado.

 

Se a Escola de Governo é  capaz de proporcionar vivências pedagógicas em que o conhecimento é obtido por meio da transformação da experiência em conhecimento, ela é, por natureza, inovadora, sem que seja preciso colocar isso no seu slogan, sem que seja necessário repetir o tempo todo que sua finalidade é contribuir para uma administração pública inovadora blá-blá-blá.

 

E tem mais: uma tal Escola de Governo tem nos próprios funcionários públicos – donos da experiência da qual partir – os melhores mestres. Desde que, claro, se disponham a imaginar, desde que tenham vontade de  (e disposição para) exercitar essa faculdade da inteligência transformadora, não só do agente público e do seu entorno, mas do ser humano que ele é. 

 

A partir de uma Escola de Governo assim, tem-se um impulso para a nova realidade desejada para a administração pública. Ela é, por excelência, o lugar de se imaginar e, por isso, o lugar de produzir o novo. Afinal, como constata, perguntando, outra vez, Fuentes (p. 27): "Há realidade que não tenha sido primeiramente imaginada e desejada?"

 

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