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Dona Edite, 86 anos: a volta da torcedora-símbolo à Fonte Luminosa

Uma das figuras mais conhecidas das arquibancadas e apaixonada pela Ferroviária, Edite Alves de Souza voltou ao estádio para torcer pela equipe de Araraquara
 Vestir a camisa da Ferroviária, colar o rádio de pilha no ouvido e torcer pela equipe de Araraquara nas arquibancadas foram rotina na vida de Edite Alves de Souza por quatro décadas, o que a tornou uma torcedora-símbolo da equipe grená. No último sábado (22), a afeana voltou a vivenciar essa sensação.Edite, de 86 anos, acompanhou a partida entre Ferroviária e Internacional de Limeira pela Copa Paulista, na Arena da Fonte Luminosa, ao lado de sua família — Daniela (neta), 39 anos, Adriano (marido de Daniela), 34 anos, e Maria Júlia (bisneta), de 9 anos —, além do prefeito Edinho, do presidente da Ferroviária, Carlos Salmazo, e do diretor de futebol, Roque Júnior.A rotina de acompanhar jogos no estádio foi diminuindo ao longo do tempo, devido à dificuldade de locomoção. Nas suas contas, Edite não voltava para sua ‘segunda casa’ havia quase dez anos. Mas a oportunidade chegou.Além de ser sua volta ao estádio, era a primeira partida que a bisneta Maria Júlia acompanhava. Desde o início do jogo, Edite explicava para ela o que tinha que acontecer. “O gol tem que ser do lado de cá. Do lado de lá, não pode”, contou para a garota — ambas estavam próximas ao gol atacado pela Ferroviária.Quando João Cleriston deu a popular ‘caneta’ no adversário e arriscou um chute, Edite não segurou a empolgação: “vai, menino, vai!”. Não foi dessa vez. “Olha o gol, Maria Júlia, vai sair agora”, afirmou, antes da falta batida por Tom e defendida pelo goleiro. Mas já quase no intervalo, em bobeada da defesa, Wesley marcou, ‘do lado de lá’, para a Inter de Limeira.HistóriasJá classificada para a próxima fase da Copa Paulista, a derrota por 2 a 0 (Medina ainda marcaria o segundo gol na etapa final) não atrapalha os caminhos da Ferroviária na competição. A própria Edite passou boa parte do segundo tempo contando histórias e folheando sua pasta com fotos e recortes de jornais.Perguntada sobre as partidas que ela mais tem recordações, Edite logo se lembrou de um empate contra o Palmeiras, por 1 a 1, em 1995. O Palmeiras fez 1 a 0 com Cléber, colocou quatro bolas na trave, mas não saiu de Araraquara com a vitória. A Ferroviária, valente, empatou com Marquinhos Capixaba aos 45 minutos do segundo tempo, de falta. Edite estava lá.Em relação aos atletas que ela mais admirou, Edite se recorda com carinho de Paulo Martins (volante dos anos 1980), Marcão (atacante dos anos 1980) e Mauro Pastor (zagueiro dos anos 1970/1980). No cenário nacional, a torcedora admira muito a personalidade forte de Serginho Chulapa.“Eu era muito fã do Serginho. Tanto que eu era são-paulina e virei santista por causa dele. Se eu fosse nova, eu jogaria no time feminino da Ferroviária e ‘quebraria o pau’ igual ao Serginho”, brincou Edite.Inclusive, ela foi uma das mulheres pioneiras nos estádios de futebol, ajudando a acabar com o preconceito e as brincadeiras. “Uma vez, eu vim ao treino e um rapaz perguntou se eu tinha algum filho que jogava no time. Eu respondi: ‘tenho, sim, os onze’. O cara ficou sem reação”, relembra.AbençoadaEntre essas e muitas outras histórias — como as partidas contra o Santos de Pelé, o concurso de palpites que lhe rendeu um troféu e as atuações como atriz em grupos da melhor idade —, a partida contra o time de Limeira chegou ao final. Edite, então, resumiu sua experiência no estádio.“Eu estava passando por aqui, um dia, vim assistir a uma partida e gostei. Depois, estava aqui com sol, com chuva, em todos os jogos. Nem acredito que estou novamente aqui hoje [sábado] e ainda conheci o Roque Júnior. Sou uma pessoa abençoada. Agradeço a Deus por isso”, afirmou Edite.Para o prefeito Edinho, ela traduz uma parte da história da Ferroviária. “Quem vem à Fonte Luminosa há muito tempo conhece a Dona Edite. Sempre veio ao campo e não perdia um jogo. Nós tomamos um café no meio da semana e disse que ela precisava vir ao campo. Agradeço à direção da Ferroviária, que providenciou a vinda da Dona Edite. Fiquei muito feliz”, revelou.Para Carlos Salmazo, a presença de Edite no estádio trouxe um significado especial. “Ela acredita no potencial e na força desta instituição enquanto embaixatriz desta cidade. Nas oportunidades que tivemos para um bate-papo, Dona Edite relembrou momentos históricos de alegrias e tristezas, fatos curiosos e pitorescos, boa parte deles guardados num book que produziu e que constitui um documento histórico. Venha sempre, Dona Edite. A Ferroviária não apenas agradece, mas precisa de seu apoio como exemplo de fidelidade e paixão”, ressaltou o presidente da Ferroviária.