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10 anos sem Bazani

22 de setembro de 2017


Campeão nos acessos de 1955 e 1966, no Tricampeonato do Interior (1967, 1968 e 1969) e na Taça dos Invictos (1970), mesmo depois de ele encerrar a brilhante carreira dentro dos gramados, ainda ajudou a Locomotiva no comando técnico levando-a à semifinal do Paulista de 1985.

O maior símbolo grená partiu no dia 13 de outubro de 2007, aos 72 anos de idade. Deixou três filhos, sendo dois do casamento com a saudosa Maria Inês (Olivério Bazani Neto, 52, e Maria Inês, 47) e a psicóloga Ana Carolina Bazani (da união com Aparecida de Castro Bazani, 69).

O busto de Bazani no principal acesso dos torcedores ao Estádio Fonte Luminosa — local em que ele trabalhou no período de 1954 a 1963 e, depois, após retornar do Corinthians, de 1966 a 2007 — retrata o único homenageado com estátua em 67 anos de fundação da Associação Ferroviária de Esportes.

Nascido em Mirassol, no dia 3 de junho de 1935, Bazani tornou-se Cidadão Araraquarense em 1998, por iniciativa do esportista Paschoal Gonçalves da Rocha e do vereador Mário Hokama.

A festa no Clube Araraquarense contou com a toda a família do Rabi (apelido carinhoso que ganhou na infância do seu pai, Olivério Bazani): o irmão Roberto Bazaninho (1942-2016), a irmã Nadir, que defendeu a equipe de basquetebol do Corinthians, o saudoso narrador Fiori Gigliotti, os lendários atletas Dudu e Peixinho, Tonhão, entre outros.

Formado em Odontologia pela Unesp de Araraquara, Bazani comemorou o primeiro acesso da Ferroviária, o de 1955 que terminou em abril de 1956, com os colegas da faculdade e, entre eles, o escritor Ignácio de Loyola Brandão.

Ele manteve consultório na Rua 9 de Julho, entre as avenidas Dom Pedro II e Brasil, e, depois, na Galeria Cury.

Colaborou como cirurgião-dentista no Hospital Cairbar Schutel prestando serviços das 6h às 8h30, antes dos treinos da Ferroviária. Também foi voluntário no Centro Espírita Obreiros do Bem e Creche Meimei.

 

Trajetória

Destaque no Rio Preto, Bazani já tinha sido indicado à Ferroviária pelo técnico do juvenil Djalma Bonini, o Picolim. Convidado pelo Fluminense FC a realizar testes, o jovem meia foi descoberto num trem rumo à capital paulista, onde embarcaria para o Rio de Janeiro com o quarto-zagueiro China.

Intimado a descer na estação de Araraquara pelo alto comando da Estrada de Ferro, após trocas de mensagens entre os funcionários da composição férrea, Bazani exigiu que o amigo China também fosse avaliado pela comissão técnica. Deu certo! Os dois foram aprovados. Mais tarde, chegou a treinar no Flu, mas o contrato assinado com a Locomotiva prevaleceu e Bazani ficou na Morada do Sol.

Bazani brilhou com a camisa 10 da Ferroviária levando o clube à Divisão Especial em 15 de abril de 1956, ao marcar dois gols diante do Botafogo FC, de Ribeirão Preto, na vitória épica por 6 a 3, com o Estádio Fonte Luminosa totalmente lotado. Gomes (2) e Cardoso (2) completaram a goleada.

A boa campanha no Campeonato Paulista de 1959, quando a Locomotiva ficou em terceiro no geral, atrás somente de Palmeiras (o campeão) e Santos FC (o vice), levou Bazani, Dudu e Rosan à Seleção Paulista, que tinha a base do Santos com Pelé, Coutinho e Lima.

Campeão pela Seleção Paulista ao lado de Pelé, Bazani recordou o companheirismo do “Rei do Futebol”. “Extraordinário e humilde, atencioso, tratava a todos com fina educação”, recordou o Rabi.

 

Timão

Contratado em Medelín, na Colômbia, enquanto excursionava com a Ferroviária, Bazani deixou a Locomotiva no exterior e embarcou para São Paulo para se apresentar ao Timão.

“Minha vontade era viajar e conhecer o mundo jogando futebol, e achei que isso iria acontecer no Corinthians, mas no fim viajei mais ao exterior com a Ferroviária. No Corinthians, fui uma vez só e ao Paraguai”, lembrou ironicamente em entrevista ao repórter fotográfico Tetê Viviani.

O meia armador contou detalhes da partida entre o Corinthians e o Botafogo, do Rio, no Maracanã. A ordem do técnico era marcar o Mané Garrincha pelo lado esquerdo da defesa corintiana, pelo meio e pelo lado direito.

“Eu e mais dois companheiros obedecemos o treinador e fomos para cima do Mané com tudo. Ficamos o jogo inteiro como baratas tontas dando cabeçadas em nós mesmos, o técnico nos xingando e o Garrincha deitando e rolando”, lembrou humorado, em 1998, no púlpito da Câmara de Araraquara.

Bazani não conseguiu se firmar no Corinthians. “A imprensa pressionava muito o treinador e interferia na escalação. E, na minha posição, tinha um garoto chamado Roberto Rivelino em início da carreira e com muita fome de bola”, justificou o meia, que defendeu o Timão em 87 jogos, marcando 15 gols. Um deles no histórico Corinthians 4 x 7 Santos, com quatro gols de Pelé naquele inesquecível 1964.

 

Retorno glorioso

De volta à Locomotiva, em 1966, Bazani reergueu o time levando-o à Divisão Especial após as finais históricas contra o XV de Novembro, de Piracicaba, no Pacaembu. No primeiro jogo deu empate, por 1 a 1, e vitória grená no segundo, por 1 a 0.

Entrosado com Fogueira e Pio, pelo lado esquerdo, Bazani invadia a grande área e cruzava na medida para as conclusões de testa do centroavante Teia.

A boa fase prosseguiu com as conquistas do Tricampeonato do Interior e da Taça dos Invictos instituída pelo jornal “A Gazeta Esportiva”.

 

Olhar clínico

Observador nato, Bazani assumiu interinamente o comando grená inúmeras vezes. Seu maior feito foi a campanha de 1985, quando disputou as semifinais do Campeonato Paulista. Em Araraquara, deu empate: 2 a 2. Mas a Lusa venceu no Canindé, por 2 a 0, e foi à final contra o São Paulo FC. O Tricolor sagrou-se campeão.

Rabi comandou os profissionais da Locomotiva em 220 jogos. Atuou na base e esteve à frente do departamento amador como supervisor. Assistia a várias partidas na região como olheiro.

Descobriu o meio-campo Zé Roberto nos Jogos Abertos, na região de Ribeirão Preto. Como ele não tinha mais idade para os juniores, insistiu para que fosse incorporado aos profissionais. Zé Roberto vingou e foi vendido ao Atlético Mineiro e, depois, ao Internacional/RS.

Acreditou no potencial do jovem zagueiro Marco Antonio ao observá-lo numa final do campeonato juvenil da Liga Araraquarense de Futebol, quando o Juventus, da Vila Xavier, foi campeão diante do Atlas.

O zagueiro natural de Araraquara brilhou na Ferroviária, em 1985, quando o time participou das semifinais do Paulistão, e depois defendeu Corinthians, Palmeiras, Sport Club do Recife e um clube japonês.

Outro atleta que Bazani acertou a posição em campo foi o tricampeão brasileiro Mauro Pastor. “Percebi que o Mauro usava muito a perna esquerda, então o fixei no lado esquerdo da grande área”, relatou sobre a campanha de 1985, no Paulistão.

 

 

Depoimentos

 “Bazani foi o maior ídolo da história da Ferroviária dentro de campo e fora dele. Como técnico, revelou inúmeros talentos nas categorias de base e levou a equipe principal à semifinal do Paulistão de 1985. Impossível entender a história da Ferroviária sem entender a importância de Bazani como liderança esportiva e ser humano. No nosso governo, inauguramos um busto do Bazani na Arena da Fonte. Uma homenagem simples, porém justa para alguém que se tornou referência e levou o nome da nossa cidade para o Brasil é para o mundo”.

Edinho Silva, prefeito Municipal de Araraquara

 

“Bazani era um líbero, que atuava livre da função de marcação. Um jogador completo na armação, na cobrança de faltas e pênaltis. Era incapaz de ofender alguém. Um grande companheiro.”

Wanderley Nonato, o Fogueira, de 75 anos, capitão da Ferroviária no acesso de 1966

 

“Ainda na categoria juvenil, tinha desistido do futebol para trabalhar e pagar meu curso de Agrimensura. O Bazani procurou meus pais, falou com minha mãe para eu trabalhar de manhã e treinar à tarde e, ainda por cima, me arrumou uma ajuda de custo com a diretoria da Ferroviária. Devo tudo ao Bazani.”

Marco Antônio Pais dos Santos, 54 anos de idade, educador físico, ex-atleta de Ferroviária, Corinthians, Palmeiras e campeão brasileiro pelo Sport Club do Recife, em 1987

 

“Um ícone, um monstro, imortal e eterno. Vamos lembrar sempre dele. Era o primeiro a receber os novos atletas. Além de atleta, ele ajudava o técnico criando variações de jogadas. Sempre sorridente. Teu busto na entrada do estádio Fonte Luminosa é um merecida homenagem para que os jovens se interessem por sua história.”

Osmar Alberto Volpe, o Pio, campeão brasileiro pelo Palmeiras

“Quanto ao craque Bazani, dentro de campo foi um dos maiores meias-esquerdas com quem joguei em minha longa carreira. Tinha todas as qualidades de grande mestre do futebol. Fora de campo, grande amigo, conselheiro, pai de família e muita consideração com o próximo. Foi exemplo para muitas pessoas.”

Arnaldo Poffo Garcia, o Peixinho, 77 anos

 

“Como técnico da base, Bazani estava à frente de seu tempo. Enxergava os mínimos detalhes. Ele entregava uma equipe pronta para o futebol profissional. Nossa geração é grata ao Bazani. Ele sempre acrescentou muito para nós.”

Paulo César de Oliveira, 57 anos, atual técnico da Ferroviária

 

“Saudade, muita saudade”.

Aparecida de Castro Bazani, 69 anos, viúva e mãe de Ana Carolina Bazani

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