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Sagrado e empoderamento feminino dominam programação do FIDA no sábado (dia 26)

Alunas de Dança do Ventre, da professora Valéria Pestana, exibem o vídeo "Empoderamento feminino através da dança com espada"
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O empoderamento feminino e a (re)existência do sagrado feminino nas culturas indígenas são algumas das abordagens realizadas na programação do FIDA - Festival Internacional de Dança de Araraquara no penúltimo dia do evento, neste sábado, 26 de setembro. Com início às 18 horas, a agenda apresenta: os vídeos "Empoderamento feminino através da dança com espada", "Andanças" e "Gestus 30 Anos", além da live "Um jeito de corpo Jurema: dança, genocídio e cura pela (re)existência do sagrado feminino nas culturas indígenas". A programação pode ser acompanhada a partir das 18 horas no canal da Prefeitura de Araraquara no Youtube, com o link disponibilizado na página provisória da Prefeitura no Facebook (@MunicípioAraraquara). 

A primeira atividade do sábado é a exibição do projeto audiovisual "Andanças", do fotógrafo e artista visual Paulo César Lima, que apresenta o resultado de 15 anos das fotografias de espetáculos de dança feitas no Brasil e no mundo. 

Depois será realizada a live "Um jeito de corpo Jurema: dança, genocídio e cura pela (re)existência do sagrado feminino nas culturas indígenas", com a participação dos convidados: Nádia Akawã Tupinambá (Brasil) e Olga Flores (Bolívia), com a mediação de Denny Neves. 

Gilsamara Moura, curadora do FIDA 2020, lembra que, neste "Encontro", "as lideranças indígenas, mulheres-medicina e militantes vão nos brindar com falas sobre o sagrado feminino, as lutas identitárias e a (re)existência que é uma perspectiva para todas e todos nós". Também, Denny Neves, alerta: "vou tratar desse jeito de corpo Jurema também em uma referência ao Caetano Veloso e ao Gilberto Gil". 

Após a live, um vídeo comemorativo dos 30 anos do Grupo Gestus vem à tona, com a produção do próprio Grupo Gestus e de Índio Medeiros. O vídeo é a primeira ação de celebração de três décadas de trabalho contínuo em dança, política e pensamento contemporâneo do grupo de dança contemporânea de Araraquara. 

Por fim, haverá a exibição do vídeo de dança "Empoderamento feminino através da dança com espada", de Valéria Pestana, selecionado por meio de edital de fomento de cultura municipal. A apresentação conta com alunas da professora Valéria Pestana: é o Grupo Al Fayun de Dança do Ventre, formado em 2015. 

A professora, bailarina e coreografa Valéria Pestana iniciou na Dança em 2002 e, desde 2006, é especialista em Dança do Ventre. Nesta performance, com quatro minutos, haverá a apresentação da dança com espada, tendo a espada como elemento principal em continuidade ao corpo da mulher. Valéria conta que a Dança do Ventre é uma arte milenar, citada em diversos fatos históricos da evolução humana, principalmente na vida cotidiana das mulheres. "Uma dança incialmente preparada por mulheres e para mulheres, posteriormente levada de geração a geração é consequência de diversos fatores como celebração, comemoração e execução das tarefas diárias", aponta. 

Segundo ela, a escolha da Dança com Espada se deve a luta diária das mulheres da antiguidade, que persuadidas, só tinham funcionalidade nas tarefas domésticas, e recorrem aos rituais como forma de libertação do corpo e da alma. "Assim a dança vai tornando forma e fazendo parte da vida das mulheres no cotidiano e nas suas mais diversas atividades, como a busca por água nas margens do rio. A mulher vai tomando consciência da sua importância na vida da sociedade, começa a contribuir com a política e a cultura local, trazendo para cada passo um novo ritmo de dança". 

A professora conta que a tradição é passada de geração a geração e essas mulheres conseguem se apropriar de instrumentos, até então, utilizados em guerra, para mostrar o empoderamento e ensinar a lição do poder do Sagrado Feminino, mostrando assim a sua liberdade e a sua importância, expondo a guerreira vitoriosa de seu próprio corpo e de suas atitudes. "A espada lembra um objeto tão difundido em guerra, que na dança serve para relembrar as mulheres do seu equilíbrio, sua destreza e seu poder", explica Valéria. 

O FIDA 2020 apresenta uma parceria com a Universidade Federal da Bahia – por meio da Escola de Dança, Programa de Pós-Graduação em Dança (PPGDança), Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC), Grupo de Pesquisa Ágora: modos de ser em Dança(CNPq/UFBA) e PRODAN; Secretaria Municipal da Educação; Balangandança Cia. de Dança (SP), Centro da Juventude de Araraquara e Corpo Rastreado. Toda a programação é gratuita e aberta aos interessados.  

 

Confira os convidados da live "Um jeito de corpo Jurema: dança, genocídio e cura pela (re)existência do sagrado feminino nas culturas indígenas" 

 

Nádia Akauã Tupinambá (Olivença, Bahia - Brasil): Liderança militante do movimento das Culturas Indígenas, pedagoga, mulher da medicina, conselheira espiritual, é Membro da Comissão Executiva do Fórum Estadual em Educação Escolar Indígena (Forumeiba) e Membro da Comissão de implantação da proposta curricular da Licenciatura Intercultural em Educação Escolar Indígena. atualmente trabalha na Escola estadual Indígena Tupinambá de Olivença - BA. Foi palestrante em seminários, conferências, encontros e congressos na América do Sul e Central como representante Tupinambá, tratando de questões da educação inclusiva, cultura, agroecologia, saberes ancestrais e movimentos político-sociais e ambientais. Mestra Griô da tradição oral dos saberes e fazeres ancestrais das abuelas, iniciada nos saberes das ervas e da cura pela linhagem de suas ancestrais, é terapeuta e trabalha com ervas medicinais e tratamentos de cura e limpeza para a gravidez e parto. Conduz rituais de cura, vivências xamãnicas, retiros espirituais e círculos sagrados para mulheres. Juntamente com o companheiro Ramon, têm servido e resistido às frentes políticas e ativistas em prol da sobrevivência e cultura de seu povo, aliados à harmonia da convivência com todos os povos, e em prol do bem-estar da Mãe-Terra. 

  

Olga Flores Bedegral (La Paz - Bolívia): Ativista Indígena Boliviana e pedagoga, é um ícone na luta pelos direitos humanos na Bolívia. Seu irmão mais velho, Juan Carlos Flores Bedregal, líder do Partido Obrero Revolucionário e deputado nacional, foi levado a desaparecer em julho de 1980 por um comando militar durante a ditadura de Luis García Meza (1980-1981). A partir daí ela lidera uma cruzada pública pela desclassificação dos arquivos das Forças Armadas para esclarecer o paradeiro das vítimas daquele período. 

  

Mediação: Denny Neves – Escola de Dança da UFBA – Universidade Federal da Bahia.   

 

SERVIÇO: 

FIDA – Festival Internacional de Dança de Araraquara 

Data: sábado (26 de setembro) 

Horário: a partir das 18 horas 

 

Programação: 

  • Vídeo "Andanças", de Paulo César Lima 

  • Live "Um jeito de corpo Jurema: dança, genocídio e cura pela (re)existência do sagrado feminino nas culturas indígenas", com: Nádia Akawã Tupinambá (Brasil) e Olga Flores (Bolívia), com a mediação de Denny Neves 

  • Vídeo comemorativo Gestus 30 anos 

  • Vídeo selecionado por edital: "Empoderamento feminino através da dança com espada", de Valéria Pestana 

 

Programação gratuita

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