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‘Com protocolo, a volta às aulas é segura’, destaca médica Andreza Gilio

Pediatra foi entrevistada pelo ‘Canal Direto Especial’ e relatou problemas de aprendizagem e de desenvolvimento das crianças com as escolas fechadas; com protocolos e restrições, aulas presenciais retornarão em 8 de fevereiro
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Em entrevista ao programa “Canal Direto Especial”, no Facebook da Prefeitura de Araraquara, a pediatra Andreza Gilio relatou casos de problemas de aprendizagem, de saúde e de desenvolvimento das crianças devido ao isolamento social e às escolas fechadas. Ela apoia o retorno das aulas presenciais, desde que sejam seguidos protocolos sanitários e de prevenção da Covid-19.

Em Araraquara, a rede municipal de ensino terá retorno das aulas presenciais no dia 8 de fevereiro, mas seguindo diversas regras, como capacidade de apenas 35% dos alunos e medidas sanitárias. O retorno não será obrigatório e irá priorizar alunos com dificuldades nas aulas online e em vulnerabilidade (veja mais abaixo).

“Às vezes, algumas crianças se adaptaram bem ao ensino online. A família tem uma estrutura, os pais conseguem ensinar, têm formação superior, fazem home office. Algumas crianças tiveram menor dificuldade no ensino online pela estrutura da família. Mas, infelizmente, temos uma população bastante vulnerável e que praticamente não estudou nenhum dia, não têm acesso à internet. É o filho mais velho que fica cuidando das mais novas, porque os pais precisam trabalhar. Eu já tive vários pacientes que me disseram que não estudaram nada. Isso vai ter consequências lá na frente”, afirmou Andreza, que é formada em Medicina pela USP de Ribeirão Preto e tem especialização em Endocrinologia Pediátrica e Pediatria Geral, ambas na USP em São Paulo.

“A criança tem uma plasticidade cerebral em que ela precisa ter a interação olho no olho, interagir com crianças da idade dela. Precisa disso para se desenvolver. Várias crianças estagnaram o desenvolvimento cerebral ficando muito em telas, sem contato com os pares. A gente não sabe a consequência disso lá na frente. As crianças estão ansiosas e deprimidas. De cada dez pacientes que atendo, oito pais, mães e cuidadores queixam que as crianças não estão dormindo, estão comendo mais, ficando ansiosas”, observa.

Para a especialista, desde que sejam obedecidos protocolos à risca, a volta às aulas é segura. “Se as pessoas seguirem o protocolo, se a escola tiver infraestrutura, o risco é quase zero. Se você quer um risco zero, você vai ter que ficar sozinho, trancado dentro de casa e sem ter contato com ninguém. O pai não pode estar trabalhando, a mãe não pode estar trabalhando, o avô não pode estar indo na padaria da esquina. Zero risco, aqui, ninguém está correndo. Zero risco, a escola não é, mas é um risco muito baixo para o tanto de benefícios que as crianças terão. Os estudos mostram que as crianças pegam menos, transmitem menos e são pouco sintomáticas. Com protocolo, a volta é segura”, analisou.

A pediatra ainda afirmou que não é possível aguardar até que o processo de vacinação seja concluído, pois isso pode levar “mais um ano, um ano e meio”. “Seriam mais de dois anos em que as crianças ficariam longe da escola. Imagine uma criança de 6 anos de idade e que ficou dois anos longe da escola. Quantos % da vida dela representam isso? É diferente de uma pessoa com 40 anos e ficou um ano sem sair para lazer. No tempo em que a criança deveria estar desenvolvendo o cérebro, está na frente de TV, de tela de celular.”

No caso dos alunos que irão voltar às aulas presenciais, Andreza orienta que todos os protocolos sejam seguidos (higienização frequente das mãos, uso de máscaras e troca delas frequentemente, distanciamento, entre outros) e que os pais, mães e responsáveis não mandem para a escola as crianças com qualquer sintoma suspeito, desde uma coriza ou dor de garganta.

E as crianças que vão continuar em casa precisam de uma rotina para que não tenha prejuízos na saúde. “As crianças estão muito sem rotina, dormindo e acordando quando querem, comendo o que querem, assistindo o que querem. É como se fossem férias. É importante ter rotina, dormir, alimentar-se bem. Eu já atendi criança que ganhou 12 quilos no último ano. Criança sem rotina perde o rumo da vida dela”, concluiu Andreza.

Critérios
A volta às aulas presenciais obedecerá diversas normas e critérios. O retorno será de forma parcial e não obrigatória, limitada à presença máxima de 35% do número de alunos matriculados em cada unidade.

Serão priorizados os alunos que apresentam comprometimento ou prejuízos cognitivos, aqueles que não conseguiram ter acesso às atividades on-line ou impressas disponibilizadas ao longo de 2020, bem como aqueles que estão em situação de vulnerabilidade, objetivando minimizar os impactos no processo educacional e da aprendizagem decorrentes de um longo tempo sem escola, evitando também o abandono e a evasão escolar.

Todas as instituições de ensino adotarão medidas de segurança previstas nos decretos estaduais e municipais que tratam da pandemia de Covid-19 e seguirão as diretrizes estabelecidas no Protocolo Sanitário de Retorno das Atividades Presenciais dos Estabelecimentos da Rede de Educação Básica do Município, instituído pelo decreto municipal nº 12.398, de 28 de outubro de 2020, e elaborado por uma comissão formada por profissionais da educação, sindicato de servidores municipais, pais, mães e responsáveis pelos alunos.

Estudantes e profissionais que pertençam ao grupo de risco, por possuírem comorbidades, não devem retornar às atividades presenciais.

Para aqueles que voltarão às aulas nas escolas, as recomendações básicas são usar máscara, lavar as mãos com frequência, ter álcool em gel à disposição, levar a própria garrafinha de água para abastecer no bebedouro e manter o distanciamento.

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