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Híbrido Etanol: Professor do ITA prevê debate produtivo em Araraquara

Dr. Pedro Teixeira Lacava é um dos palestrantes do encontro marcado para a próxima quarta-feira (6), com transmissão pelo site motordofuturo.com.br
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Na próxima quarta-feira, 6 de outubro, Araraquara se tornará o centro dos debates em torno de uma nova tecnologia de energia limpa para automóveis. A cidade sediará o evento "Híbrido Etanol: O Motor do Futuro - Uma agenda de desenvolvimento, emprego e sustentabilidade", que terá início às 9 horas, com transmissão ao vivo pelo site motordofuturo.com.br e compartilhamento nas redes sociais da Prefeitura de Araraquara . O ciclo de debates contará com a participação de pesquisadores, universidades, representantes das entidades dos trabalhadores, direção da Volkswagen e da Toyota, além de representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) e outras instituições.

Um dos nomes conceituados que enriquecem a programação é o do Dr. Pedro Teixeira Lacava, que atualmente é professor associado do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e um dos coordenadores do Laboratório de Combustão, Propulsão e Energia (LCPE). Ele aponta a importância de se debater o assunto com a participação de todos os setores envolvidos na proposta. "Nós temos a oportunidade de fazer um evento muito bom, com discussões sobre o uso do etanol no contexto da mobilidade elétrica, trazendo atores importantes como as montadoras, a representação dos produtores de etanol, a academia e formadores de política pública. Então eu acho que temos condições de fazer um debate bastante interessante e produtivo", prevê.

Lacava é dono de um currículo de destaque na área de combustão aplicada a sistemas propulsivos, novas tecnologias de combustão, emissão de poluentes, combustíveis alternativos, turbinas a gás, motor a pistão e motor foguete. Ele possui graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, mestrado em Engenharia e Tecnologia Espacial pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e doutorado em Engenharia Aeronáutica e Mecânica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). No ITA foi pró-reitor de pós-graduação, chefe da Divisão de Pós-graduação e Pesquisa e chefe da Divisão de Engenharia Aeronáutica. Adicionalmente foi membro do Comitê Científico da Rede Nacional de Combustão RNC e vice-presidente da Associação Aeroespacial Brasileira (AAB).

Debate fundamental para o futuro

O tema do evento se baseia no momento vivido pela indústria automobilística global, que passa por uma de suas maiores reinvenções e caminha para um futuro dominado pelo carro elétrico. O debate gira em torno do desenvolvimento de veículos híbridos elétricos com propulsor a combustão flex ou movido exclusivamente a etanol. Há ainda uma nova ideia que envolve um sistema que transforma o etanol em hidrogênio para alimentar a bateria elétrica. Assim, esses veículos não teriam a necessidade de serem carregados na tomada e teriam a vantagem de ter uma pegada de carbono menor do que a dos veículos somente elétricos, desde a fabricação até o descarte, assim como híbrido a etanol, o que seria de extrema relevância, visto que a preocupação com o meio ambiente é uma das prioridades exigidas nos dias de hoje pelo mercado.

O Dr. Pedro Lacava menciona que a implantação de um novo modelo de energia sustentável para automóveis envolve uma grande quantidade de fatores que devem ser detalhadamente analisados. "Observamos na mídia a adoção em massa de veículos elétricos como algo que deve ser implementado em curto ou médio prazo, porém existem muitas questões relacionadas a esse tema, por sairmos de um transporte baseado em combustíveis fósseis, derivados de petróleo e motor à combustão, para um sistema elétrico. São questões que envolvem viabilidade econômica, disponibilidade da tecnologia para uso em massa, logística de abastecimento, descarte de baterias, entre outros. Adicionalmente, hoje não podemos deixar de lado a questão da segurança de disponibilidade elétrica, porque estamos vendo a crise de produção de energia elétrica que sofremos no Brasil por questões climáticas. É um momento de colocar as peças que compõem esse quebra-cabeça para a discussão e quem sabe ajudar a gerar ideias que possam contribuir para a adoção de políticas públicas ou algo nessa direção", analisa.


O etanol como solução

O professor argumenta que o carro elétrico comum possui algumas limitações técnicas que podem ser contornadas com esse novo sistema proposto. "O veículo elétrico que chamamos de puro, com bateria e motor elétrico, tem uma autonomia muito baixa. É um veículo caro e com baixa autonomia. Adicionalmente tem as questões relacionadas ao tempo de abastecimento, que limitam muito o seu uso. Por outro lado, o que temos de solução são os veículos chamados 'range extension”, de alcance aumentado utilizando motores a combustão, mas não para tracionar o veículo e sim para carregar a bateria à partir do momento que ela tenha uma certa queda na sua carga. No entanto, se utilizarmos combustível fóssil, perde todo o objetivo do carro elétrico e da eletrificação do transporte, que é de reduzir a emissão de gases de efeito estufa", justifica.

Lacava acredita que o etanol ajuda a resolver parte dessa equação. "O etanol é um combustível sustentável, que tem como fonte de matéria prima a biomassa que captura o CO₂ durante a sua fase de crescimento e ele tem hoje distribuição em todo o nosso país. Então ele pode fazer essa ponte. Quando você não tem condição de carregar o carro com eletricidade, você pode utilizar o etanol por ele ser um combustível sustentável", propõe.

O Brasil em posição de destaque

O professor lembra que uma diferença importante entre o biocombustível e o combustível derivado de petróleo é o transporte da matéria prima. "O petróleo é explorado em vários lugares do mundo e é facilmente transportado para ser refinado no país que o adquiriu. Por outro lado, quando pensamos no etanol ou qualquer outro biocombustível, você não transporta biomassa para produção do combustível em outro local, pois boa parte da biomassa é água, ficando caro o transporte, além de ecologicamente não fazer sentido. Então a produção do biocombustível tem que ser feita onde a biomassa é plantada. Isso pode colocar o Brasil em uma posição de destaque para a produção de etanol, pois fora toda a capacidade já instalada, podemos ampliar a produção com a implementação de novas tecnologias, de segunda geração, terceira geração e assim por diante", explana.

Por isso, o pesquisador se mostra animado com a alternativa proposta. "O Brasil pode ser um importante player no contexto de uma eletrificação usando veículo híbrido. Hoje o carro elétrico é muito caro e mesmo assim o consumidor que tem recurso para adquiri-lo muitas vezes não o faz por ter insegurança sobre o abastecimento e autonomia, sendo a opção do carro híbrido 'range extension' mais atrativo. Mas como na maioria das vezes esses carros são importados, utiliza-se gasolina para produzir energia elétrica quando o veículo não tem oportunidade de ser carregado", conclui Lacava.

Divisão em painéis

O evento de quarta-feira foi dividido em três painéis, que abordarão assuntos, previsões e propostas relativas ao tema. O Painel 1, marcado para as 9h30, apresenta a proposta "Carro híbrido a etanol (desafios e oportunidades da academia ao mercado)", enquanto o Painel 2, às 10h30, leva o tema "Carro híbrido: Um conceito sustentável - Carro elétrico é mesmo sustentável?" e o Painel 3, às 11h30, tem o assunto "O novo ciclo do etanol: Qual o caminho para o etanol se consolidar como principal fonte sustentável de energia para o futuro?".
 
Os convidados

A mediação do Painel 1 será de Wagner Firmino de Santana (presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) e os convidados são Pablo Di Si (presidente e CEO da Volkswagen Região SAM - América do Sul, América Central e Caribe), Dr. Alessandro Pansanato Rizzato (diretor do IPT Open Experience no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo - IPT) e Dr. Fabio Coral Fonseca (tecnologista sênior do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares-IPEN).

O Dr. Rodrigo Fernando Costa Marques (do Instituto de Química da UNESP/Araraquara) fará a mediação do Painel 2, que contará com os palestrantes: Rafael Chang (presidente da Toyota do Brasil), Dr. Pedro Teixeira Lacava e Wellington Messias Damasceno (diretor administrativo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC - SMABC).

Já o Painel 3 terá mediação de Erick Pereira da Silva (presidente da FEM-CUT/SP) e os convidados são o Dr. Eduardo Leão de Sousa (diretor executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar - UNICA), a Dra. Laís Forti Thomaz (da Universidade Federal de Goiás-UFG, Faculdade de Ciências Sociais) e Edinho Silva (prefeito de Araraquara, graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista-UNESP de Araraquara e mestre em Engenharia de Produção na Universidade Federal de São Carlos-UFSCar).

A organização do encontro será da Prefeitura de Araraquara e a realização, além da própria Prefeitura, conta também com o CEAR, a Federação dos Sindicatos de Metalúrgicos da CUT-SP (FEM-CUT/SP) e o Instituto de Química da Unesp Araraquara (CEMPEQC). O evento tem o apoio da EPTV, Cidade On Araraquara, G1, CBN Araraquara, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Consórcio de Municípios da Região Central do Estado de São Paulo, Volkswagen, Toyota, UNICA e Posto Fiel.

 

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