Você está aqui: Página Inicial / Notícias / 2021 / OUTUBRO / 08 / Híbrido Etanol: Painel 2 aponta compromissos tecnológicos e sociais

Urbano

Híbrido Etanol: Painel 2 aponta compromissos tecnológicos e sociais

Evento realizado em Araraquara reuniu pesquisadores e representantes de montadoras, sindicatos e poder público
Rafael Chang, presidente da Toyota, participou de forma remota Foto Tetê Viviani.JPG







Araraquara sediou na última quarta-feira (6) o evento "Híbrido Etanol: O Motor do Futuro - Uma agenda de desenvolvimento, emprego e sustentabilidade", que teve o objetivo de promover debates em torno de uma nova tecnologia de energia limpa para automóveis. O encontro foi transmitido ao vivo pelo site motordofuturo.com.br e também pelas redes sociais da Prefeitura de Araraquara. O vídeo do evento na íntegra está disponível no canal da Prefeitura no Youtube.

A atividade foi dividida em três painéis e o Painel 2 foi mediado pelo Dr. Rodrigo Fernando Costa Marques (do Instituto de Química da UNESP/Araraquara), que conduziu os diálogos em torno do tema "Carro híbrido: Um conceito sustentável - Carro elétrico é mesmo sustentável?". 

 

O painel contou com a participação de Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil, que destacou que o processo de descarbonização é um caminho sem volta. "Nós achamos que o Brasil vai jogar o jogo e ter um papel chave nesse processo de descarbonização. O Brasil tem uma vantagem competitiva muito importante pela abundância de recursos limpos no país, que podem ser utilizados para desenvolver todas essas tecnologias", explicou.

Segundo ele, existe uma pluraridade de soluções, que dependerá do cenário de cada país, porém o sistema híbrido a etanol se mostra a melhor alternativa para o Brasil. "As soluções tecnológicas que nós, como montadora, vamos entregar devem ser práticas e sustentáveis. E dentro disso nós acreditamos firmemente que uma das melhores soluções é essa, considerando a combinação do híbrido e a utilização do etanol, que é uma das soluções mais limpas que nós temos a oferecer. Para isso é importante a atuação em conjunto de todos os atores, setor público, setor privado, montadoras, fornecedores, concessionárias, sindicatos e mesmo a opinião pública", explanou.

Outro nome conceituado que integrou o Painel 2 foi o do Dr. Pedro Teixeira Lacava, professor associado do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e um dos coordenadores do Laboratório de Combustão, Propulsão e Energia (LCPE). "O veículo híbrido parece ser o caminho para a massificação da eletrificação em curto e médio prazo e, se associado ao uso de etanol, isso será mais sustentável. A curto prazo, o motor de combustão interna seria uma solução mais viável, o problema é que temos visto um pouco as montadoras pararem de investir no motor, especialmente quando falamos de motor a etanol. E a médio prazo, a célula a combustível com reformador substituindo o motor a combustão interna pode ser interessante. Existem vários outros pontos importantes nesse processo, como o biocombustível versus produção de alimentos, capacidade, demanda, preço, descarte, ciclo de vida, entre outros", mencionou.

Quem complementou o debate em torno do tema proposto no painel foi Wellington Messias Damasceno, diretor administrativo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que ressaltou a necessidade de um planejamento que envolva todos os setores envolvidos direta ou indiretamente no processo. "Esse evento tem algumas missões extremamente importantes, até mais do que o próprio conteúdo que estamos debatendo. Entre os grandes objetivos, o primeiro talvez seja pensar de fato a construção de políticas públicas que pensem um projeto de país. Todos os painéis falaram sobre a necessidade de políticas públicas que norteiam o investimento, que norteiem os caminhos que nós vamos perseguir e onde nós queremos chegar como país. Daqui nós poderemos iniciar esse pensamento e debater isso a várias mãos. E o segundo objetivo é dialogar com a sociedade sobre a alternativa que o híbrido a etanol pode ser pensando na discussão da mobilidade urbana", citou.

Outros painéis

O Painel 1 apresentou a proposta "Carro híbrido a etanol (desafios e oportunidades da academia ao mercado): Quais os desafios para a indústria automobilística na transposição de tecnologia?", que contou com a mediação de Wagner Firmino de Santana (presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) e a participação de Pablo Di Si (presidente e CEO da Volkswagen Região SAM-América do Sul, América Central e Caribe), Dr. Alessandro Pansanato Rizzato (diretor do IPT Open Experience no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo-IPT) e Dr. Fabio Coral Fonseca (tecnologista sênior do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares-IPEN e gerente do Centro de Células a Combustível e Hidrogênio-CECCO).

Já o Painel 3 levantou o assunto "O novo ciclo do etanol: Qual o caminho para o etanol se consolidar como principal fonte sustentável de energia para o futuro?". O painel teve a mediação de Erick Pereira da Silva (presidente da FEM-CUT/SP) e os convidados foram Antonio de Padua Rodrigues (diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar-UNICA), a Dra. Laís Forti Thomaz (professora da Universidade Federal de Goiás-UFG) e Edinho Silva (prefeito de Araraquara, graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista-UNESP de Araraquara e mestre em Engenharia de Produção na Universidade Federal de São Carlos-UFSCar).

O evento

O tema do evento foi norteado pelo momento vivido pela indústria automobilística global, que passa por uma de suas maiores reinvenções e caminha para um futuro dominado pelo carro elétrico. O debate gira em torno do desenvolvimento de veículos híbridos elétricos com propulsor a combustão flex ou movido exclusivamente a etanol. Há ainda uma nova ideia que envolve um sistema que transforma o etanol em hidrogênio para alimentar a bateria elétrica. Assim, esses veículos não teriam a necessidade de serem carregados na tomada e teriam a vantagem de ter uma pegada de carbono menor do que a dos veículos somente elétricos, desde a fabricação até o descarte, assim como híbrido a etanol, o que seria de extrema relevância, visto que a preocupação com o meio ambiente é uma das prioridades exigidas nos dias de hoje pelo mercado.

O ciclo de debates contou com a participação de pesquisadores, universidades, representantes das entidades dos trabalhadores, direção da Volkswagen e da Toyota, além de representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) e outras instituições. A organização do encontro foi da Prefeitura de Araraquara e a realização, além da própria Prefeitura, contou também com o CEAR, a Federação dos Sindicatos de Metalúrgicos da CUT-SP (FEM-CUT/SP) e o Instituto de Química da Unesp Araraquara (CEMPEQC). O evento teve o apoio da EPTV, Cidade On Araraquara, G1, CBN Araraquara, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Consórcio de Municípios da Região Central do Estado de São Paulo, Volkswagen, Toyota, UNICA e Posto Fiel.

registrado em: ,