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Educação, arte e afetividade traduzem o Festival de Dança

19 de setembro de 2017


Mais do que espetáculos, o Festival Internacional de Dança de Araraquara foi marcado pelo caráter educativo, com oficinas e cursos de formação, que chamaram a atenção não apenas de bailarinos, mas de muitos educadores da cidade. Soma-se a isso: a afetividade e a receptividade entre participantes e organizadores, propondo uma troca ainda maior, levando a uma rede de experiências que deve resultar em amizade e em grupos de estudos na cidade.

Absolutamente elogiado por várias frentes – artistas, professores, interessados em geral – a iniciativa celebrou o conhecimento, aproximou pessoas e fomentou a pesquisa da Dança. A curadora do evento, Gilsamara Moura, agregou um time forte e competente de profissionais da Dança – a maioria oriunda da UFBA (Universidade Federal da Bahia) – para essa experiência que mexeu com os artistas da Morada do Sol.

 

Mini-curso – O conhecimento e a vontade de ensinar, aliados ao jeito “baiano” de se relacionar com as pessoas, fizeram do bailarino Denny Neves e do músico Gil Santiago – que ministraram o mini-curso “Ações formativas para docentes de Artes” – figuras queridíssimas desta edição. Em uma semana de contato direto com muitos profissionais da Educação e de artistas, eles foram absolutamente elogiados por toda a turma que participou da atividade.

A bailarina e professora Renata Pestana classifica o mini-curso como “um absurdo”! E justifica: “o conteúdo, a doação, o saber, a troca do Gil, do Denny, da Gilsa… o trabalho que eles desenvolveram: incrível é pouco! E muito não só pelo arcabouço de saber deles, mas todo mundo ali – a gente era quase 50 professores e/ou artistas – tava todo mundo disponível e muito aberto. Foi muito rico, intenso e transformador”.

Renata conta que, de tão emocionante, chorou diversas vezes. “Foi emocionante e chorei em momentos de sensibilização, de olho no olho, de ver você no outro e o outro em você, de concentração. E também na parte de música, rítmica, do conhecimento popular e do Folclore. Foi extremamente glorioso!”.

“Aprendemos a reciclar, cantar, tocar instrumentos recicláveis, dançar passos de danças africanas e indígenas e transformar tudo isso para sair em um cortejo pela cidade”, conta o bailarino Wendy Moretti. “O melhor de tudo foi conhecer uma série de pessoas que fizeram isso tudo acontecer, cada pessoa foi fundamental, com certeza isso uniu os artistas de Araraquara e transformou o cenário da Dança. Acredito que cada um saiu transformado dessa semana, assim como eu”, revela Wendy, que começou na Dança Contemporânea pelas Oficinas Culturais Municipais. “Foi incrível trocar experiências e conhecimentos com outras pessoas que transpiram arte, principalmente para mim que sou ‘novo’ na Dança, pois tenho uma experiência de apenas dois anos. E com o Festival meu corpo e minha mente confirmaram que é dançar o que quero fazer o resto da minha vida”.

A professora e artista plástica Juty Oliveira também participou do mini-curso. Para ela, o aprendizado adquirido foi de suma importância e trará reflexos para suas atividades. “Vou me empenhar para levar um pouco do que aprendi nessa convivência maravilhosa do Festival, para aqueles a quem eu procuro com muita humildade ensinar Artes Plásticas”.

“O mini-curso foi fora de série, muito bom! Os profissionais vieram carregados de afetividade e conteúdo para transbordar e transmitir para gente”, conta a bailarina e professora Suzane Rossan. “Os profissionais de Dança de Araraquara são absurdamente potentes. Têm muita gente pensando a Dança e tentando fazer com que a Dança saia da caixinha do consumo e do divertimento apenas. O Festival serviu para resgatar isso. Foi bom não só para adquirir conhecimento, mas para a gente se sentir em rede”.

 

Apresentações – Diversos espetáculos chamaram a atenção do público, como a abertura no Sesc Araraquara, com a Cia. Cisne Negro em “Ziggy – Tributo a David Bowie”, ou a Noite Feminista na Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira, ou ainda as performances que agitaram a antiga Estação Ferroviária.

“As apresentações de Dança que assisti foram muito boas, trouxeram propostas diferentes de outras apresentações que já vi antes. O que me fez pensar o como a Dança é ampla e como podemos transformar qualquer coisa em Dança”, observou Wendy.

“Eu achei o festival maravilhoso. Foi um respiro, depois de muitos anos de ‘buraco’ – foram muitos anos que o Festival se resumiu apenas a ‘noite das escolas de dança’, o que na verdade não representa nem um décimo do potencial artístico em Dança na cidade de Araraquara”, apontou Suzane. “Não tem o que colocar defeito: foi uma programação rica, densa, uma grade cheia de coisas em várias vertentes para as pessoas escolherem o que fosse mais conveniente de acordo com seu trabalho e/ou linha de pesquisa. Achei maravilhoso!”.

 

Cortejo – Uma das atrações que reuniu um grande público foi o “Cortejo: Encontro de Tambores e Cordas”, realizado na Praça Pedro de Toledo com destino até o Sesc Araraquara, reunindo artistas de diversas linguagens artísticas, educadores e interessados, sob coordenação da atriz Marcela Barbosa. O evento propôs uma saudação à dança, à cidade de Araraquara, aos artistas daqui e aos artistas de fora.

A bailarina Renata Pestana conta que o Cortejo foi “arrepiante”! “Não só o trabalho da criação, a experienciação das danças populares, dos caboclinhos, do Maracatu, da cultura dos Mares (Iemanjá e o Zumzum) – as letras são muito tocantes e tudo muito intenso”, acredita. Para ela, a confecção dos adereços e a troca propiciada entre os artistas visuais e os bailarinos foi uma experiência muito positiva. “Todo mundo dançou e criou com o material reciclado… foi muito bom ter trabalhado com essas pessoas incríveis. Muita cultura! É o axé da coisa!!!”.

“Tudo aconteceu sendo amarrado, com um fio condutor. Não tinha nada jogado, descuidado. Estou torcendo para isso se fortifique e que grupos de estudos aconteçam a partir desse encontro e que outros festivais como esse possam acontecer”, vibra Suzane, lembrando que o Festival encurtou a distância entre as pessoas, que acabaram se aproximando. “Eu gostei muito do Festival Internacional de Dança. Me fez ter um contato e uma conexão maior com meu corpo e alma, assim como com o corpo e a alma de outras pessoas também”, lembrou Wendy.

Renata finaliza e lembra: “fui com sede de saber, de ver mais coisas de dança, reciclar e estudar aqui na cidade, então me senti muito feliz pela oportunidade. Agradeço a todos os organizadores e a Gilsa, curadora do evento. Coloco minha gratidão por esses nove dias vividos aqui… foi fantástico!”.

A 17ª edição do Festival de Dança de Araraquara – evento realizado pela Secretaria Municipal da Cultura, Fundart e Secretaria Municipal de Educação, com parceria do SESI e SESC Araraquara – foi realizada de 09 a 17 de setembro, com a programação inteiramente gratuita.

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