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Presente nos 200 anos: município recebe digitalização de processo dos Britos e de primeiras atas da Câmara

31 de agosto de 2017


Nos 200 anos de Araraquara, mais um grande presente: a Prefeitura recebeu, nesta quinta-feira (31), a digitalização dos processos da morte dos Britos (1897), realizada pela empresa Safebox e doada ao Município, e das primeiras atas da Câmara Municipal (entre 1839 e 1936), num trabalho do próprio Legislativo.

A solenidade de entrega das mídias com os arquivos ocorreu na Casa da Cultura “Luís Antonio Martinez Corrêa”, onde está sediado o Arquivo Público Histórico “Prof. Rodolpho Telarolli”.

O processo dos Britos, com mais de 600 páginas, estava em mau estado de conservação devido às constantes consultas da população e completa 120 anos neste ano de bicentenário da cidade. Já os arquivos da Câmara totalizam 2.277 páginas que remetem ao período do Império e da Primeira República.

“São documentos de importância imensa para a história de Araraquara em seus 200 anos. Poucos documentos são capazes de contar tão bem a história da nossa cidade como as atas da Câmara. E o episódio dos Britos foi um fato importante para se entender a ascensão e, posteriormente, o declínio do coronelismo. Portanto, um fato relevante para a história brasileira”, explicou o prefeito Edinho. “Talvez, os Britos e a chegada da ferrovia sejam os fatos históricos que mais traduzam a construção da cidade de Araraquara como ela é hoje.”

“​Atualmente, tudo é filmado, digitalizado, armazenado na nuvem, mas o difícil é recuperar o que não foi registrado pelas novas tecnologias. Espero que Araraquara interprete o que estamos fazendo hoje. A digitalização é um grande presente para a cidade. Um povo que não sabe de onde veio, dificilmente, saberá para onde vai”, concluiu o prefeito.

O presidente da Câmara, Jeferson Yashuda (PSDB), explicou que 17 livros foram digitalizados. “A gente se orgulha muito de contribuir com esse processo. É uma honra participar desse evento”, afirmou.

Tânia Rosa, sócia-proprietária da Safebox, destacou a participação da empresa nesse “importante processo dos Britos”. “Agradecemos a confiança em nós depositada. Nós somos daqui, ganhamos credibilidade aqui e nos orgulhamos muito de participar. Espero que a população goste”, declarou.

 

Histórico

A coordenadora de Acervos e Patrimônio Histórico, Fabiana Virgílio, descreveu a entrega das digitalizações como um momento “épico, histórico e incrível”, pois irá possibilitar que “as pessoas, de suas casas, acessem o acervo”.

Teresa Telarolli, secretária de Cultura, destacou que documentos antigos devem ser preservados por meio das novas tecnologias. “O papel da gente, que é historiador, é tentar driblar as adversidades que o tempo nos propõe. Os documentos em papel são perecíveis”, disse, elogiando a Safebox e a Câmara. “A gente depende desse tipo de iniciativa para resguardar a memória.”

O delegado do 1º Registro de Imóveis e Anexos de Araraquara, João Baptista Galhardo, e seu filho João Baptista Galhardo Júnior, juiz da Vara da Fazenda Pública, também tiveram participação nesse processo e usaram a palavra no evento.

Galhardo contou que o processamento de todos os crimes em Araraquara, desde 1866, eram feitos no cartório, onde trabalha desde 1949. “Eu olhava a prateleira e tinha um ciúme danado daqueles processos”, confessou.

O delegado foi decisivo para a doação dos documentos sobre a morte dos Britos ​do cartório para o Arquivo Público Histórico. “A vida é feita de histórias escritas. Se não fossem propagadas, ninguém teria conhecimento”, concluiu.

Para Galhardo Júnior, “um povo que não preserva seu passado é fadado a não ter futuro”. “O mundo vai poder conhecer a história do processo dos Britos”, disse.

O vice-prefeito e secretário do Trabalho e do Desenvolvimento Econômico, Damiano Neto, além de outros secretários e representantes da Prefeitura e da Câmara, também participaram do evento.

 

O episódio dos Britos

A disputa entre o jornalista Rozendo de Brito e o Coronel Antonio Joaquim de Carvalho resultou na morte do coronel e no linchamento do jornalista e de seu tio Manuel de Souza Brito, em 6 de fevereiro de 1897.

Esse episódio de coronelismo influenciou a política local no início do século XX. Na década de 1930, com a vitória no pleito municipal, Bento de Abreu Sampaio Vidal e seu grupo, com a visão de construir outra representação da cidade, investiu nas construções de praças e do Museu Municipal e na arborização de ruas, desvinculando Araraquara do lamentável episódio do linchamento.

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