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Trabalho

Incubadora local apoia cinco projetos selecionados pelo Programa Centelha SP

foto2 Encontro de pesquisadores na Incubadora de Empresas de Araraquara 7mar22 Tetê Viviani.jpg

 

 

 

Entre os 200 projetos selecionados pelo Programa Centelha São Paulo, a Incubadora de Empresas de Araraquara, administrada pela Prefeitura em parcerias com a Unesp e demais universidades, apoia cinco que estão em desenvolvimento na cidade.

 

Os temas inovadores contemplados recentemente são: aptasensor destinados a detecção dos principais sorotipos de Salmonella (Marina de Lima Fontes); máscaras faciais de celulose bacteriana para tratamento de melasma (Jhonatan Miguel Silva e Aline Mendes de Souza); resíduos de frutas para biotecidos e substitutos de couro tradicional (Mylene Cristina Alves  Ferreira Rezende); plataforma de liberação de fármacos por impressão 3D (Juliana Cordeiro Cardoso)  e  embalagens inteligentes baseadas em biopolímeros (Daniela Vassalo Pereira).

 

Os jovens empreendedores se reuniram nesta quarta-feira (23) na Incubadora com a gerente Larissa Dias para avaliarem as diretrizes da primeira fase do projeto.

 

A doutora na área de biotecnologia Marina Fontes, de 28 anos, resumiu o projeto inovador para a detecção de bactérias do gênero Salmonella em rebanhos, inclusive nas fezes dos animais, e também durante a inspeção dos produtos em frigoríficos.

 

“A ideia é desenvolver um sensor biológico capaz de detectar nos locais que se produz carne, seja bovina ou suína, uma das principais bactérias causadoras de infecção grave que diminui a qualidade dos alimentos de origem animal, e que impactam em toda a cadeia de produção e o consumidor. O Brasil é um dos maiores produtores de carne e foi analisando isto que projetamos o aptasensor, que tem como constituintes o carbono, que possui propriedades condutivas e a nanocelulose, que possibilita uma melhor adsorção dos aptâmeros, além de ser uma fonte verde. Tanto o carbono e a nanocelulose são de baixo custo”, relata Marina Fontes.

 

Também inovadoras na área química e de novos materiais, as pesquisadoras Juliana Cordeiro Cardoso e Patricia Severino desenvolverão na incubadora um chip para dispensação de medicamentos em animais domésticos. A proposta é evitar a administração repetida do medicamento, que muitas vezes impede a dosagem correta pela dificuldade que o animal impõe. A solução visa proporcionar mais qualidade de vida para o pet e também seu dono. O chip será colocado na camada subcutânea, abaixo da epiderme, que liberará o medicamento de forma lenta e gradual.

 

“A tecnologia é versátil e pode-se mudar o medicamento de acordo com a necessidade, o porte e a idade do animal. O material é biodegradável e será reabsorvido pelo organismo do animal. O objetivo principal do projeto é que o protótipo do chip com medicamento seja validado, pois o mercado para nosso produto é gigante”, ressalta Juliana Cardoso.

 

O tratamento de melasma (manchas acastanhadas nos rostos, principalmente de mulheres, que podem ser causadas por hormônios, pela exposição ao sol e por fatores genéticos) utilizando máscaras faciais de celulose bacteriana é o tema abordado pelos pesquisadores Jhonatan Miguel Silva, 28, e Aline Mendes de Souza, 31.

 

“Nosso projeto é cuidar da pele com a celulose e se contrapor ao uso de produtos nocivos e outros métodos que causam desconforto. O uso da máscara facial poderá ser à noite, na tranquilidade do lar, e durante o sono. Produto natural, que unirá a tecnologia em cosméticos e a evolução na estética. Na fase final, o produto passará por testes de efetividade”, relatam Aline e Jhonatan.

 

Com base na experiência em biopolímeros, a doutoranda e mestre em química Daniela Vassalo Pereira avança na pesquisa de embalagens inteligentes para maior garantia dos produtos armazenados para venda.

 

“Nossa embalagem terá um selo com propriedades para indicarem a qualidade do produto e o início da degradação. Na prática, o sensor muda de cor à medida que o produto degrada. A princípio, o foco é a aplicação do estudo para as carnes. O mesmo método poderá ser utilizado em outros alimentos", adianta a pesquisadora. A utilização de resíduos de frutas para confecções e tecidos é uma proposta inovadora da pesquisadora Mylene Rezende a e vem ao encontro das políticas de proteção aos animais.

 

Unanimidade, os pesquisadores elogiaram o apoio da analista de negócios Geralda Ramalheiro, da Incubadora de Empresas de Araraquara, durante os treinamentos e orientações para as diretrizes dos projetos conforme o edital e um olhar para a inserção dos produtos no atual mercado competitivo.

 

Além disso, os pesquisadores agradecem o apoio e motivação recebida por parte do professor doutor Hernane Barud, que é gestor do grupo BioPolMat e diretor de P&D das Start-ups Biosolvit e Biosmart Nanotechnology.  "Com certeza o professor Barud nos abre muitas portas e nos dá muito respaldo para desenvolvermos o pensamento empreendedor", observa Daniela Pereira.

 

Para o professor universitário Hernane Barud, o papel do mestre é estimular a tecnologia, a inovação, e com isso sair dos muros da universidade com a possibilidade de chegar ao mercado. “Essa nova geração de pesquisadores com projetos inovadores em desenvolvimento me entusiasma muito. A mola motriz para transformar o país é o empreendedorismo. Nossa função vai além de orientar o trabalho científico, passa pela orientação pessoal e profissional”, projeta, otimista, Barud.

 

O coordenador da Incubadora, professor doutor Ricardo Bonotto, destaca a integração entre os pesquisadores empreendedores, o conhecimento científico e o apoio dos órgãos governamentais.

 

“Os cinco projetos selecionados no Centelha e outros em andamento com bolsas da Fapesp fortalecem nosso projeto de incubação e o reconhecimento nacional. Também temos empreendedores associados que desenvolvem projetos em outros pontos com o nosso apoio”, acrescenta o coordenador.

 

Superação

 

Para o vice-prefeito e secretário municipal do Trabalho, Desenvolvimento Econômico e do Turismo, Damiano Neto, a seleção dos cinco projetos da Incubadora no Centelha reforça a superação dos empreendedores diante de um momento difícil causado pela crise mundial da pandemia de Covid-19. “Com certeza, o empreendedorismo é a principal ferramenta para superar o momento adverso que enfrentamos. A Prefeitura apoia a incubadora e parabeniza os escolhidos pelo Centelha”, disse Damiano.

 

Centelha

 

O Programa Centelha integra-se a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado São Paulo (Fapesp), ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ao Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), entre outros órgãos governamentais.

 

 

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