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Comunicação

"Canal Direto com a Prefeitura" aborda a prevenção de escorpiões

Programa desta quarta-feira (14) conversou com os biólogos Israel Joaquim e Rodrigo Ilho, especialistas no assunto
Canal Direto com a Prefeitura aborda a prevenção de escorpiões - Foto Divulgação.jpeg

 




Araraquara registra constantemente casos relacionados ao surgimento de escorpiões. Para tratar do assunto, os biólogos Israel Joaquim e Rodrigo Ilho participaram nesta quarta-feira (14) do "Canal Direto com a Prefeitura". O programa foi transmitido ao vivo pela página da Prefeitura no Facebook e está disponível para visualização na própria página, no Instagram, e também em formato de áudio nas plataformas de podcast.

Rodrigo Ilho explicou que o aumento do número de escorpiões na cidade se deve ao processo de expansão urbana. "Existem espécies de escorpiões no mundo inteiro, cada uma adaptada a um tipo de ambiente. Araraquara está em um ambiente de cerrado, em transição com a Mata Atlântica. E uma espécie típica do cerrado é o escorpião amarelo, que infelizmente é o que mais causa acidentes com óbitos no país. Na verdade, a culpa de ter um número alto não é do escorpião, que sempre existiu muito antes de aqui ser cidade. A população de escorpiões era controlada, mas como a cidade foi crescendo de forma desordenada, com destruição do ambiente natural e com a mortalidade de espécies que predavam o escorpião amarelo, ele se deu muito bem e encontrou condições ótimas para viver nas edificações humanas, nas tubulações subterrâneas de água e esgoto, ou entre os detritos. Os animais que predavam o escorpião eram os lagartos, quatis, macacos e algumas aves noturnas que não vemos mais hoje em dia, ao passo em que os escorpiões se reproduzem durante o ano todo", explicou.

Ele acrescentou que a cidade possui outras espécies de escorpiões, mas que não possuem o mesmo grau de perigo. "Dizemos que são espécies sem importância médica, ou seja, elas causam acidentes, picam e a picada pode doer, mas não causam sintomas mais graves. São escorpiões que cavam buracos e são encontrados na terra. É um escorpião pretinho, muito comum de ser visto quando se vai capinar um terreno, quando tem uma escavação do solo. Temos também o escorpião marrom, que é o segundo mais perigoso do país, mas ele está um pouco mais restrito à zona rural, mais nos arredores da cidade. Nas áreas urbanas, o mais comum e perigoso é o escorpião amarelo", salientou.

Rodrigo Ilho destacou ainda a importância de educar a população sobre o tema. "A educação é o fator transformador de tudo. O grande mal já foi feito, que é uma construção desordenada e uma destruição muito grande. No entanto, como o ser humano causou, ele também pode reverter essas ações. É preciso ter consciência de que destinar lixo ou entulho aos locais corretos vai reduzir muito o ambiente onde ele possa procriar. Também é importante a população estar ciente de que o escorpião está vivendo nas tubulações subterrâneas e ele entra nas residências pelos ralos, pias, tanques, grelhas de água de chuva sem proteção. Para cada item como esse existe um dispositivo que se pode instalar em sua casa para que os escorpiões não subam pela tubulação para dentro da residência. É importante essa percepção da população para o fato de que ele não está só em entulho, em lugar sujo. Sua casa pode ser limpa e organizada, mas tem ralo, pia, grelha, e ele pode subir por esses locais", comentou.

O que fazer ao encontrar um escorpião

Ao encontrar um escorpião, as pessoas podem entrar em contato com o Centro de Controle de Fauna Sinantrópica (CCFS) pelo telefone (16) 3331-3820. O atendimento é feito das 7h30 às 12h e das 13h às 16h30. Basta solicitar uma visita que a equipe vai até o local e dar todas as orientações necessárias.

Rodrigo falou da importância de capturar o animal vivo para que ele seja encaminhado ao Instituto Butantan, onde será utilizado no processo de produção de soros. "Algumas pessoas têm o sangue frio e uma maior capacidade de conseguir capturar esse animal vivo, colocando um pote por cima, com algo por baixo como um papel, por exemplo. Isso só pode ser feito se a pessoa se sentir segura. Caso não consiga, pode exterminar o animal porque em primeiro lugar vem a segurança da pessoa. A captura do animal vivo é muito importante para a síntese de soro. No começo do mês levamos mais de 1200 escorpiões para o Butantan", revelou.

Além do escorpião, o CCFS também trabalha com estudos e procedimentos envolvendo aranhas, serpentes, pombos, ratos, caramujos, pulgas, e morcegos. "O morcego é um animal que voa muito bem, por isso, se a pessoa encontrar um morcego caído de dia, é importante não colocar a mão e entrar em contato conosco, pois ele é um animal muito importante para os estudos do vírus da raiva", mencionou.

O que fazer em caso de acidente com escorpião

Na UPA Central é realizado o tratamento dos acidentes causados por animais peçonhentos com soros específicos e acompanhamento dos pacientes até a estabilização. Em caso de acidentes com escorpião, a pessoa infectada deve ser levada imediatamente à UPA Central, que fica na Av. Maria Antônia Camargo de Oliveira (Via Expressa).

Israel Joaquim falou sobre os sintomas principais de uma picada de escorpião. "A primeira sintoma da picada é a dor, que é uma dor intensa. Os sintomas são variados de paciente para paciente. Um paciente pode sentir uma dor restrita ao local da picada, enquanto outro pode ter radiação na raiz do membro, assim como uma dor pode ser contínua ou pulsante. Pode acontecer de ser picado e não ter dor, mas nesse caso não houve inoculação do veneno. Nós chamamos de picada seca, que é quando o animal não tem intenção nenhuma de agredir o ser humano. Então se ele picou e não houve a quantidade suficiente na inoculação, não vai ter dor", apontou o biólogo.

No caso de uma picada em criança, Israel alertou que o atendimento deve ser realizado rapidamente. "Choro precoce e intenso, suor e vômitos são sintomas de uma possível picada de escorpião. Se uma criança começa a chorar sem ter uma causa, é preciso não perder tempo e levá-la o mais rápido possível até a UPA da Via Expressa, onde a equipe vai saber diferenciar. Entre os casos que atendemos, 98% são leves. Os casos mais graves acontecem principalmente em crianças. Idosos e cardiopatas também integram o grupo de risco", ressaltou.

Ele também falou sobre os primeiros socorros que devem ser feitos nessa situação. "Qualquer picada de animais peçonhentos, não se deve usar garrote, não se deve usar torniquete, não se deve furar e nem cortar o local da picada com a intenção de tirar o veneno, porque não vai acontecer isso. Eu ouço muito o pessoal falar em colocar gelo quando tomar uma picada de escorpião, mas isso não pode ser feito em hipótese alguma. Se colocar gelo, vai aumentar o processo doloroso por conta da liberação das células sensitivas. Não dê nada para a vítima beber e leve-a o mais rápido possível ao atendimento. Pode até colocar, se tiver no jeito, uma compressa morna, que vai aliviar um pouco a dor, mas outras substâncias não. Temos equipes especializadas e competentes para fazer o trabalho", completou Israel.  

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